Escrever, escrever..
É difícil pensar, colocar as ideias no lugar, as palavras formando as frases certas. É difícil escrever quando nada mais faz sentido pra você, mas o que mais pode fazer uma pessoa confusa, senão tentar ajeitar sua mente em um papel?
As coisas não estão nada fáceis. Na verdade, elas nunca foram fáceis. A vida é difícil e uma hora você vê isso. Cuidado quando a felicidade é duradoura, pois o sofrimento pode ser ainda maior. Como diz nas Crônicas do Gelo e Fogo: “Um verão longo significa um inverno mais longo ainda.”
Dois anos aguentando, seguindo em frente. Dois anos tendo que ver, até em uma parede mal pintada, um motivo para seguir. As coisas não estão fáceis, e provavelmente não vão ficar.
Acordar sem objetivos e ir dormir vazia, era assim todos os dias. Eu não vivia, estava apenas existindo. Finalmente, depois de dois anos, apareceu alguém que, ao que parecia, seria algo pelo que valia a pena lutar. Algo que me faria levantar todos os dias feliz, e me faria dormir sorrindo todas as noites, algo onde eu, infelizmente, depositei a felicidade. GRANDE ERRO! Nunca, nunca mesmo, deposite a felicidade em algo ou alguém. Quando isso se vai, você fica ali, simplesmente caído no chão, sem forças pra levantar.
Sabe o que é viver dois anos pensando: “o que eu ainda tô fazendo aqui?” ou “por que eu ainda sigo em frente?”, dois anos confusa, sem saber o que queriam de você, o que a vida queria de você, já que ela já tinha te tirado teu bem mais valioso. “teu” bem. Pessoas nunca são suas, elas são delas mesmas. E quando as coisas ficam ruins, fazem o que bem entendem sem nem se importar com o que você vai sentir. Pensam apenas no bem delas, são egoístas, preferem te fazer sofrer do que sofrerem e encararem os problemas de frente. Ei, eu perdi quem eu mais amava, quem eu ainda amo, e ainda tô aqui, de pé! Por que você não ficou? Você superaria isso comigo, daríamos um jeito!
Depois eu entendi. Uma coisa ruim tem que acontecer pra dar lugar a uma coisa boa. É a lei da vida. E essa coisa boa me aconteceu. Entendi, ou pelo menos achei que entendi, finalmente o que a vida queria de mim, me deixando esses dois anos assim, sem objetivos. Ela ia me dar um presente! O melhor de todos, e tudo ficaria bem. Pelo menos foi isso o que eu pensei. Tudo realmente ficou bem… mas só por um tempo. As coisas pioraram de novo, e as minhas forças já estavam quase esgotadas, afinal aguentar dois anos tirando forças de uma reserva que você nem sabia que existia não é tarefa fácil.
Agora eu entendo o que ela quer da gente, a vida. Ela nos usa, nos dá coisas que nos fazem feliz por um tempo, e depois as tira, sem a menor dó. E depois? Ela faz a mesma coisa, e isso vai se repetindo, pra sempre. E se você der sorte, você morre feliz. Se não, morre sem entender o motivo da vida. Acho que é isso, ela é um enigma… um enigma que eu não tenho mais forças pra tentar desvendar.